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Brasil é criticado por remoções por conta das obras da Copa

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RIO DE JANEIRO | Wed May 11, 2011 7:07am BST

(Reuters) – Like his house, Jose Santos de Oliveira is an island of resistance.


The middle-aged gardener and his home stand amid the sea of rubble that remains of the slum community of Vila Recreio 2 in the west of Rio de Janeiro.

The mistake of the around 200 families who used to live here? They were in the way of Brazil’s make-over to host the world’s biggest sports events in the coming years — in this case, one of three new bus routes aimed at easing congestion.

The 2014 soccer World Cup and the Olympic Games in Rio two years later are spurring a multi-billion dollar drive to upgrade Brazil’s creaking infrastructure. But as work gets under way it has run up against a barrier — Brazil’s unequal society and chaotic urban planning that has seen hundreds of slums spring up throughout cities like Rio in recent decades.

Rights groups say poor residents appear to be losing out, raising early questions over whether the double-header of sporting “mega-events” will help heal Brazil’s deep social divisions or worsen them.

Both Amnesty International and a United Nations rapporteur have condemned Brazil over evictions related to World Cup and Olympic building work, a potential embarrassment for centre-left President Dilma Rousseff who has vowed to eliminate dire poverty in Latin America’s largest economy.

Rio is not alone. U.N. rapporteur Raquel Rolnik said last month that she had received allegations of evictions and possible rights abuses in eight of the 12 cities that will host World Cup games, including financial capital Sao Paulo.

She cited a pattern of a lack of consultation with affected communities as well as insufficient compensation at a time when real estate prices are booming in many Brazilian cities.

WRONG PATH?

Oliveira, whose house is still standing because he filed a legal complaint against the evictions, said no residents were invited to city planning meetings before bulldozers and trucks arrived to begin demolition work late last year.

Aggrieved residents like him say they are suffering because they have no political clout and their messy shack-like houses don’t fit the image the city wants to project.

“We aren’t garbage, we are people,” said Oliveira, as municipal trucks carried mounds of debris away behind him.

“We are being trampled by the economic powers.”

Rio city authorities have said they will seize about 3,000 houses to make way for one of the three new bus routes, the 39 km (24 mile) Transcarioca.

They say they are following legal requirements to give notice of evictions, offer alternative housing, and pay fair rates for properties, although the illegal nature of most slum houses means they cannot pay for the land.

“The city is absolutely not trying to gentrify and push the poor away,” said Jorge Bittar, Rio’s housing secretary and a member of Rousseff’s leftist Workers’ Party. “These new routes are meeting a demand that’s been there for decades in Rio … the people who will use the buses are the poor, not the rich.”

The number of families facing upheaval from the works is small compared to the many low-income citizens who will benefit from better transport and a wave of public investments in slums that has been stimulated by the Olympics, he said.

But critics see signs that Brazil is heading down a familiar path trodden by hosts of big sports events — spending huge amounts of public money without much debate over whether the projects are in the long-term interests of the population.

About 1.5 million people were evicted by Chinese authorities as Beijing prepared for the 2008 Olympics. Beijing and other recent Olympic hosts Sydney and Athens built expensive stadiums that have been used little since the Games.

“This is very authoritarian, top-down, with no public audiences, no democratic participation — and it’s going to change the city for ever,” said Chris Gaffney, a visiting professor of urbanism at Rio’s Fluminense Federal University.

“Everywhere mega-events go, this is the model.”

Another example Gaffney cites is the more than $600 million (366 million pounds) overhaul of Rio’s iconic Maracana soccer stadium for the World Cup that forced it to close last year through 2013. The stadium will be bid out to the private sector, a move that local fans fear will result in higher ticket prices.

“When you look at what the projects are actually doing, they are fragmenting and dividing the city,” Gaffney said.

“A PITTANCE”

Forests of newly built condominiums for Brazil’s emerging middle class and billboards advertising real estate opportunities line the route from downtown Rio to the western beach area where most Olympic events will be held.

Work has been underway for months here on the bus routes that officials say should ease congestion for the events and beyond, but which pass directly through poor communities.

“I didn’t have much choice. My four children would have been on the street,” said 43-year-old Tania Maria Alves, who accepted 40,000 reais (15,094.11 pounds) in compensation for her three-bedroom house and used it to buy a home nearby.

Amnesty head Salil Shetty, who visited affected communities on a visit to Brazil last month, told Reuters some residents have been offered new homes up to 60 km (37 miles) away and the compensation offers were often a “pittance.”

“There’s a sense that these issues of human rights are coming in the way of development,” he said.

Like most Brazilians, Sueli Afonso da Costa is passionate about soccer and swelled with pride when her country won the right to host the World Cup. Now, though, the event will always be tainted by the loss of her home in the Vila Harmonia slum, which was also in the way of the new bus route.

“The city never came in here to help us, to check on our health, our sanitation. But when it was time to destroy, they came in and robbed us,” said the smartly dressed nurse.

(Additional reporting by Thales Carneiro; Editing by Kieran Murray)

Fonte: Agência Reuters

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Anistia Internacional: às comunidades em remoção no Rio só resta resistir

Segundo da direita para a esquerda, o Secretário Geral da Anistia Internacional, Salil Shetty, participou de reunião com comunidades no Rio. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

Após o relato de diversos moradores de comunidades no Rio de Janeiro sobre as remoções de moradias que estão ocorrendo na cidade, o secretário-geral da Anistia Internacional, Salil Shetty, afirmou que só resta a resistência para essas pessoas. A declaração foi dada ontem (26) durante uma reunião com representantes do Conselho Popular, Pastoral de Favelas, defensores públicos do Estado do Rio, e moradores que estão em áreas de remoção por causa das chuvas de 2010 ou das obras para os mega eventos esportivos que a cidade vai receber.

“Acho que resta pouco a dizer depois desses relatos poderosos e sofridos que ouvimos aqui hoje (26/04) em relação à brutalidade das autoridades, resta apenas resistir”, observou Shetty.

O representante da Anistia Internacional também destacou que as autoridades brasileiras precisam ter sensibilidade ao fazer o reassentamento de pessoas para a realização de obras para a Copa e das Olimpíadas. Segundo ele, não estão respeitando os procedimentos legais na retirada das pessoas nessas áreas e tampouco ocorre diálogo com os moradores.

“Se a cidade vai abrigar a Copa e os Jogos Olímpicos, algumas mudanças vão ocorrer. Mas as pessoas que serão afetadas precisam ser consultadas e há todo um processo legal. E os exemplos que vi é que esse processo não está sendo seguido. As autoridades têm que ser mais sensíveis em relação a isso. Se manter esse comportamento, podemos ter dificuldade ao longo do tempo. Vamos discutir com autoridades e com o ministro da Justiça”, afirmou.

A Anistia Internacional completa 50 anos em 2011 e é uma das entidades internacionais mais representativas no campo dos Direitos Humanos. O representante da entidade afirmou que a Anistia atua há quatro décadas no Brasil, e abrirá um escritório no Rio de Janeiro ou em São Paulo nos próximos quatro meses.

Lideranças e moradores dos Morros dos Prazeres, Pavão-Pavãozinho, Borel, e comunidades do Horto, Vila Recreio II, Vila Autódromo e Guaratiba, além dos defensores e movimentos sociais, fizeram diversas denúncias durante o encontro. A mesa foi mediada pelo Padre Luiz Antônio, coordenador da Pastoral de Favelas, que destacou o déficit habitacional no Rio e defendeu que a favela é uma solução encontrada historicamente por essas pessoas.

“Não queremos proibir os eventos, queremos o direito à moradia, que é sagrado. Estão construindo casas no final do município do Rio, em Cosmos, Realengo, Campo Grande, às vezes em até 60km de distância da comunidade. São ações truculentas da prefeitura, e miseras indenizações àqueles que não aceitam morar nesses locais distantes”, criticou.

Relato dos Moradores

A presidente da Associação de Moradores do Horto, Emília de Souza, acredita que a cidade está sendo dividida pelo interesse econômico. Sua comunidade, que fica na zona sul da cidade, segundo ela, nasceu em benefício do Jardim Botânico há mais de 100 anos e hoje é taxada pela grande mídia como de invasores.

“O trabalhador não tem mais o direito de morar nas áreas nobres, que com a pacificação estão ficando cada vez mais valorizadas. Estão expurgando essas pessoas da zona sul”, disse.

Duas lideranças de comunidades que sofreram remoções por causa das chuvas de abril do ano passado deram seus testemunhos. Além do caso do Morro dos Prazeres, onde morreram 34 pessoas e um ano depois ainda não foi dada solução para 20 famílias, no Morro do Borel, na zona norte do Rio, quase 200 famílias estão sendo levadas para conjuntos habitacionais em até 70km de distância da comunidade. Ambas reivindicam a construção de moradias no próprio local, pois elas defendem que existem áreas não aproveitadas nessas comunidades. Segundo Alessandra, do Morro do Borel, metade das famílias está lutando para ficar na comunidade.

”Estão querendo nos remover para Paciência e Senador Camará, mas tem vários terrenos que eles podem construir nas proximidades se eles quisessem”, reivindicou Alessandra, que está recebendo o aluguel social com mais 187 famílias.

Jane Nascimento, moradora da Vila Autódromo, na zona oeste do Rio, por sua vez, denunciou que os animais silvestres estão entrando nas casas por causa do seu habitat devastado, coisa que não acontecia quando a comunidade foi criada. A Vila Autódromo está sendo pressionada à remoção por conta de questões ambientais.

“As leis são feitas, mas não são cumpridas. Tem gambá e mico entrando nas casas, a destruição não é só da nossa moradia, é do habitat. O (Roberto) Medina recebeu a licença para fazer o Rock in Rio. Nenhum dos outros condomínios da Barra prejudicam o meio ambiente?”, questionou.

Defensoria Pública

A Defensoria Pública do estado do Rio vem acompanhando esse processo, por meio do Núcleo de Terras e Habitação (NUTH), há alguns anos junto às comunidades atingidas. Seus profissionais criticam uma série de diretrizes e ações do poder público. Alexandre Mendes, defensor do NUTH, vai a essas comunidades desde 2009 e deu um relato sobre a comunidade Restinga, no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste, que será removida para a construção da Transoeste, via que fará a ligação aos ônibus num corredor viário para o Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim. A comunidade foi uma das visitadas pela Anistia Internacional em outubro do ano passado, quando foi feito um relatório de ação urgente pela entidade, dois meses antes da remoção.

“Chegamos lá às 2h30m da madrugada e as famílias estavam sendo removidas. Elas não tinham sido indenizadas e não tinham para onde ir. Uma família dormiu na praia. Só na semana seguinte é que se falou em indenização, e quando foram receber os valores eram entre R$ 8 mil e R$ 9 mil. Muitas estão torrando o dinheiro mês a mês para pagar aluguel”, lembrou.

Mendes criticou o tratamento dado pela Secretaria Municipal de Habitação, que, na sua opinião, chega marcando as casas e as pessoas sequer sabem do que se trata. É o caso das moradias que serão demolidas próximo ao Sambódromo, no Centro, onde um morador recebeu uma notificação de demolição na semana passada com a data do dia anterior, exemplificou. Ele também traçou algumas das ações do poder público que, segundo ele, refletem a “lógica de atuação global na cidade”: os projetos, procedimentos ou medidas alternativas não são anunciados previamente; não há participação da comunidade em nenhum momento; os reassentamentos são realizados em lugares distantes, e apresentados como única alternativa; indenizações baixas, e estabelecimentos comerciais ou instituições, como religiosas, não foram contempladas, etc. Para o defensor, muitas dessas questões são previstas nas leis e não são cumpridas.

Fonte: Fazendo Média

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Remoções da Copa levam Anistia a Brasília

O secretário-geral da Anistia Internacional, Salil Shetty, prometeu levar hoje ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, as denúncias de abusos e irregularidades cometidos nos processos de remoção de moradores das áreas desapropriadas para grandes obras, sobretudo da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016.

“As autoridades têm de ser mais sensíveis. Muitas violações estão sendo cometidas”, disse Shetty. Entre as obras que provocaram as remoções estão a construção dos corredores expressos para ônibus Transcarioca e Transoeste, que ligarão a Barra da Tijuca (zona oeste) ao Aeroporto Tom Jobim e a Santa Cruz, respectivamente.

“Nem na ditadura encontrei tanta truculência. O trator vai passar por cima de mim, mas não vou sair. De 250 famílias, só restaram dez”, disse o representante da comunidade Jardim Maravilha, em Guaratiba, Antônio Félix. O defensor público Alexandre Mendes citou ainda casos em que oficiais de Justiça chegaram a atuar de madrugada.

Em nota, a Secretaria Municipal de Habitação disse que oferece aluguel social e indenizações a famílias que “necessitam ser reassentadas em função de obras de grande alcance social”. Sobre a remoção para locais a até 60 km de distância, informou que as famílias poderão “conectar-se aos locais de origem pelos BRTs (Bus Rapid Transit) que estão sendo construídos”. Segundo a secretaria, 6,2 mil famílias já foram reassentadas.

Fonte: Estadão

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Obras da Copa tiram 4,5 mil famílias de casa em Porto Alegre

As pessoas não reclamam da mudança, mas da falta de informação: muitas delas não têm ideia do lugar onde vão morar

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul | 14/02/2011 18:16

Pelo menos 4,5 mil famílias devem ser removidas das suas casas por causa  das obras que Porto Alegre executa para receber a Copa do Mundo de 2014, como a ampliação da pista do aeroporto Salgado Filho e a duplicação de uma avenida para melhorar o acesso ao estádio Beira-Rio, onde vão acontecer os jogos na capital gaúcha.

Foto: Jonathan Heckler/Divulgação

Destruição de casas na vila Dique, em Porto Alegre: a Copa é a oportunidade de morar em um terreno regularizado. O problema é saber onde

As mudanças não acontecem sem problemas. No loteamento para onde estão sendo levados os moradores da área do aeroporto, a reportagem do iG constatou casos de famílias que estão enfrentando dificuldades para pagar a parcela da casa, em torno de 6% da renda mensal familiar, além das contas de água e luz, que não existiam quando elas viviam em terrenos irregulares.

Em outra área da cidade, na região próxima ao estádio Beira-Rio, a preocupação é quanto ao futuro endereço. Nos últimos dias, cerca de 500 moradores dos bairros Cristal, Cruzeiro e Divisa, que serão afetados pela duplicação de uma avenida, têm protestado para cobrar informações da prefeitura. Eles cobram a apresentação do projeto de reassentamento para a área e pedem que a maioria das famílias fique na mesma região.

“Até agora, não nos apresentaram projeto, não saiu cadastro. Estão nos empurrando com a barriga desde novembro”, reclama Renato Maia, presidente da associação de moradores das vilas Cristal e Divisa, na região sul de Porto Alegre. Ali, pelo menos 1,8 mil famílias devem ser removidas para a duplicação da avenida Moab Caldas, que será acesso para o Beira-Rio. Outra remoção deve ocorrer em uma área próxima ao estádio, que será modernizado e terá hotel e estacionamentos no seu entorno. Cerca de 70 famílias devem ser retiradas do local. “Não queremos ir para longe. Têm pessoas que moram há mais de 50 anos aqui e vão ser removidas”, afirma Maia.

Já a ampliação da pista do aeroporto Salgado Filho deve deslocar 2.609 famílias das vilas Dique e Nazaré. Já foram transferidas 434 famílias para um loteamento em construção no bairro Rubem Berta, zona norte da cidade.

Porém, nem todas as pessoas reclamam das mudanças. Há pouco tempo, o casal Fernando e Maria Lúcia Rosa trocou a casa de madeira nos fundos do aeroporto Salgado Filho por um sobrado de alvenaria no extremo norte da cidade. Com dois quartos, sala e cozinha, a nova residência deixa poucas saudades da antiga casa em um terreno irregular na Vila Dique, que deu espaço às obras de expansão do aeroporto. “A única coisa que não queríamos nem olhar foi a demolição da nossa casa”, lembra o marceneiro Fernando.

Para onde ir?

O cientista político Sérgio Baierle, integrante da ONG Cidade, que estuda os problemas habitacionais de Porto Alegre, critica o destino das famílias que serão removidas. A maioria das áreas de interesse social mapeadas pela prefeitura se encontra nos extremos sul e norte da cidade, regiões com infraestrutura insuficiente e com grande concentração populacional.

“A nossa preocupação é o modelo de planejamento que não integra a população na cidade. Está se criando uma cidade cada vez mais divida”, destaca o cientista político. Ele defende que os reassentamentos sejam feitos em áreas próximas dos locais onde viviam as famílias, que poderiam manter suas atividades. “Um dos problemas do Rio foi concentrar uma população muito pobre em áreas sem urbanização, gerando mais conflito social. Defendemos que elas não sejam reagrupadas em um único lugar, que eles possam ser integradas com toda a cidade”, afirma.

Jorge Dusso, diretor do Departamento de Habitação de Porto Alegre, justifica os reassentamentos em áreas afastadas da cidade devido ao alto custo dos imóveis nas regiões mais centrais. “Procuramos alocar as famílias sempre o mais próximo possível dos locais onde moram e desenvolvem suas atividades profissionais. Mas sempre trabalhamos na linha do possível”, justifica. Dusso afirma que os loteamentos que estão sendo construídos possuem infraestrutura adequada e alguns contam com unidades de triagem de material reciclável, ganha-pão de boa parte dos moradores. Oficinas de capacitação são preferidas para que a população possa buscar alternativas de emprego.

A prefeitura realiza outras obras indiretamente ligadas à Copa do Mundo. O prolongamento da avenida Voluntários da Pátria, próximo à futura Arena do Grêmio, deve provocar cerca de 800 desapropriações. Já as obras de saneamento do Projeto Integrado Socioambiental devem retirar 1.746 imóveis às margens do Arroio Cavalhada, na zona sul da cidade. A ampliação da pista do Salgado Filho deve retirar ainda cerca de 170 imóveis regulares no bairro Jardim Floresta.

Fonte: Portal iG

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Via Expressa só fica pronta no fim deste ano

Cronograma da obra para reduzir trajeto ao Porto de Salvador sofre atraso e prejudica trânsito da capital

entregue no primeiro semestre deste ano, a Via Expressa Baía de Todos-os-Santos, obra do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) que vai ligar à BR-324 ao Porto de Salvador, sofreu atraso na construção e teve conclusão adiada para o final deste ano, conforme a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder).

A via, que terá 14 viadutos, três túneis e dez faixas, reduzindo o percurso entre a BR-324 e o Porto de Salvador – dos atuais sete para 4,5 quilômetros –, tem, até o momento, cinco viadutos concluídos, sendo que um deles ainda continua interditado (viaduto 12, ligando a BR-324 à Av. Heitor Dias).

Mas, para a criação do restante dos viadutos e das dez faixas, será preciso, ainda, a desapropriação de cerca de, pelo menos, 400 imóveis localizados na Avenida Heitor Dias (região das Sete Portas), no Largo Dois Leões, Baixa de Quintas e tambémna Estrada da Rainha.

Embora o coordenadorexecutivo da Via Expressa, Flávio Oliveira, afirme que o atraso deve-se à greve dos trabalhadores da construção civil – ocorrida entre março e maio de 2010 –, aliada às chuvas que castigaram Salvador no mesmo período, ele reconhece que a agilidade das obras dependerá das desapropriações.

Do total de 771 imóveis a serem derrubados, 350 já foram desapropriados, representando um gasto com indenizações de R$ 34,2 milhões, dos R$ 49,5 milhões previstos. A expectativa é que as próximas indenizações comecem a partir de fevereiro deste ano.

Um dos principais impasses é o fato de a maioria dos proprietários residentes não ter documentação de posse regularizada, e comerciantes apresentarem resistência em aceitar a indenização do Estado (Conder), sob a alegação de que os valores oferecidos estão abaixo do estipulado pelo mercado.

Indefinição Além disso, ainda há moradores e comerciantes que estão com situação indefinida, sem informação eemdificuldade para encontrar outros imóveis.

Conforme a gerente da loja Syntemat, na Avenida Heitor Dias, Cleide Barbosa, o órgão estadual ofereceu R$ 93 mil, quando,deacordocomoFundo de Comércio – que prevê reparos por danos de quem tem empreendimentos fechados –, o imóvel seria avaliado em R$ 200 mil. “Só querempagar pela área construída.

Me ofereceram apenas R$ 93 mil, mesmo valor de imóveis acabados. Vamos esperar a ordem de saída para entrarmos na Justiça”, conta a gerente. Segundo ela, com o valor proposto não seria possível comprar outro estabelecimento.

“Teríamos de pagar aluguel por outro espaço, o que não seria vantagem”, acrescenta a gerente.

Bar O dono do Bar da Silva, Edmundo Silva, afirma que a Conder ainda não lhe informou se terá o imóvel totalmente desapropriado ou apenas uma parte: “Eles vieram três vezes. Primeiro, seria o imóvel todo, depois metade, na terceira vez, retirariam apenas a varanda. Na última vez, recuarame disseramque seria a metade do prédio”.

Edmundo Silva reclama da demora na definição e afirma que deixou de vender o prédio, que funciona como bar no primeiro e segundo andares, por R$ 600 mil. “O comprador veio aqui, fez a proposta, mas quando esteve na Conder desistiu porque não souberam informar o que sairia. E a Conder sequer ainda me falou de indenização”, relata Silva.

Oaposentado Antônio CarlosBorbadaSilva, moradorda Estrada da Rainha, também reclama da falta de previsão para receber a indenização peloimóvel dele, avaliadoem R$80milpeloórgãoestadual.

Ele reconhece que o valor está depreciado, mas prefere ser indenizado logo,umavezque a casa corre risco de desabar.

“Me falaram que receberíamosemmarço.

Onossoponto fraco foi a casa estar condenada”, diz o aposentado.

Já Joselito Braz da Silva, 67, vive um dilema. Ele paga aluguel de R$ 150 por uma casa na Estrada das Rainha há 25 anos. A proprietária do imóvel, viúva, sequer tem a escritura: “Não sei onde vou encontrar um lugar para morar por esse valor. E a viúva, coitada, nem vai ganhar nada com a desapropriação”.

De acordo com o coordenador de desapropriações da Conder, José Correia Filho, já existem 48 ações na Justiça pedindo a desapropriação dos imóveis cujos donos não têm documentação de posse ou estão resistindo à indenização.

“São pessoas que moramhá 30, 40 anos no local e não se preocupavamcomdocumentos.

Para receber a indenizaçãodadesapropriação, precisam regularizar a situação junto ao cartório. O dinheiro estará reservado”, explica Correia Filho.

Segundo ele, 95% dos imóveis têm cadastro físico, descrevendo as características e quanto valem. Ele explicaque a indenização segue valor estabelecido por uma comissão, cujo responsável pela avaliação, Nei Cardim, é tambémmembrodoConselhoFederal de Economia. Procurado ontem, Cardim informou que nãopoderia conversarno momento, pois embarcava paraumareuniãodetrabalho em Brasília.

Correia Filho adianta, ainda, que as casas serão desapropriadas por meio de ordem judicial, caso as pessoas não apresentem a documentação, mas que o valor de indenização estará disponível no Banco do Brasil quando o proprietário estiver com documentação em mãos.

“O juiz só emite parecer favorável caso o órgão já tenha depositado, numa conta do Banco do Brasil, o valor de indenização de cada imóvel.

O proprietário poderá tirá-lo quando comprar a posse do imóvel. O magistrado entende que o interesse coletivo não pode se sobrepor sobre o interesse individual”, acrescenta o gestor.

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